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Como se desenvolve um projeto de Arquitetura Paisagista

·Equipa Diaplant·5 min de leitura

Um projeto de paisagismo passa por briefing, análise, estudo prévio, licenciamento, execução e obra. Conheça o papel de cada fase.

Um projeto de Arquitetura Paisagista organiza terreno, usos, vegetação, água, materiais e infraestruturas antes de a obra começar. O desenho é uma parte do processo, mas não é o ponto de partida.

O trabalho inicia-se com a leitura do lugar e com a compreensão de quem o vai usar. Depois desenvolvem-se cenários, confirma-se viabilidade, detalham-se soluções e acompanha-se a construção.

Na Diaplant, a ligação entre viveiro, projeto e obra permite trabalhar com exemplares reais e transportar informação entre estas fases.

Primeiro contacto

O primeiro contacto serve para compreender o âmbito e confirmar se existe alinhamento entre o pedido e o serviço.

Interessa saber a localização, a área, o estado do terreno, a relação com edifícios e as principais intenções.

Também se identifica o prazo e o momento em que outras especialidades estão a trabalhar. Um projeto exterior depende frequentemente de arquitetura, estruturas, águas, eletricidade e licenciamento.

Quando existe documentação, plantas, levantamentos, fotografias e condicionantes são reunidos antes da proposta.

Briefing

O briefing é a primeira etapa estruturada antes do desenho. Transforma rotinas, necessidades e prioridades num programa de projeto.

Pergunta-se quem usa o espaço, em que épocas, que atividades devem acontecer e que nível de manutenção é realista.

Privacidade, sombra, convívio, animais, piscina, horta, produção agrícola e acessibilidade podem ter pesos diferentes.

Referências visuais ajudam a discutir ambiente, mas devem ser acompanhadas pelo que agrada em cada imagem. “Natural”, “contemporâneo” ou “mediterrânico” têm significados diferentes para pessoas diferentes.

O investimento disponível deve ser abordado cedo. Quando não existe uma indicação clara, podem comparar-se cenários para perceber as consequências das opções.

Levantamento e informação de base

O projeto precisa de topografia, limites e relação com a construção.

A visita observa sol, vento, vistas, acessos, escorrimentos, solo, vegetação e usos atuais.

Nem toda a informação aparece à superfície. Podem ser necessários levantamento topográfico, pesquisa cadastral, sondagens, análise de solo e localização de redes.

As árvores existentes são avaliadas quanto ao valor, estado, raiz e capacidade de integração. Preservar uma árvore adulta pode condicionar a obra, mas também dar maturidade imediata.

Condicionantes e viabilidade

Antes de consolidar o desenho, consulta-se o PDM e as condicionantes aplicáveis ao terreno.

Classificação e qualificação do solo, servidões, REN, RAN, património, domínio hídrico e outras restrições podem influenciar o que é possível.

Muros, piscinas, estruturas, edifícios de apoio, redes técnicas, modelação e impermeabilização não têm o mesmo enquadramento.

Não se deve afirmar que um projeto exterior está automaticamente isento ou sujeito a licenciamento apenas pela dimensão. O procedimento depende do conjunto da operação e das regras em vigor.

O Decreto-Lei n.º 108/2026 revê e republica o RJUE, com entrada em vigor principal em 3 de agosto de 2026. A versão aplicável deve ser confirmada na data do projeto e articulada com o município.

Conceito

O conceito estabelece uma direção para as decisões.

Pode partir da relação com a paisagem, do modo de viver no exterior, da água, da topografia ou de uma estrutura vegetal existente.

Não precisa de ser um tema decorativo. Deve explicar por que motivo os percursos, os espaços e as plantas se organizam daquela forma.

Um conceito útil ajuda a decidir quando surgem alternativas, sem impedir adaptações ao terreno.

Estudo prévio

O estudo prévio apresenta a organização do espaço e a linguagem geral.

Inclui planta, zonamento, principais cotas, materiais, vegetação estrutural e referências. Modelos tridimensionais, imagens e vídeo podem ajudar a perceber escala e ambiente.

Nesta fase, comparam-se alternativas e ajusta-se o programa. A solução ainda não contém todo o detalhe necessário para construir.

A estimativa de investimento é atualizada de acordo com áreas, materiais, muros, água, infraestruturas e porte da vegetação.

Licenciamento ou procedimentos aplicáveis

Quando a intervenção exige procedimento, as peças são desenvolvidas e coordenadas com as restantes especialidades.

As entidades podem pedir elementos adicionais ou impor condicionantes.

O tempo administrativo deve integrar o cronograma. Uma obra não deve ser contratada como se o licenciamento fosse apenas uma formalidade com duração garantida.

Em casos complexos, uma informação prévia pode ajudar a esclarecer viabilidade antes de desenvolver toda a solução, conforme o enquadramento legal aplicável.

Projeto de execução

Depois de aprovado o estudo, são definidos cotas, pavimentos, muros, drenagem, rega, iluminação, plantações e pormenores.

As peças escritas especificam materiais, métodos e critérios de qualidade.

Medições e mapa de trabalhos organizam quantidades e permitem comparar propostas.

A compatibilização verifica conflitos entre árvores, fundações, tubagens, caixas e equipamentos.

Uma imagem realista não substitui esta informação.

Seleção da vegetação

O plano de plantação define espécies, cultivares, formas, portes, quantidades e compassos.

Árvores adultas podem ser escolhidas no viveiro durante o desenvolvimento do projeto. A forma real influencia orientação, espaço e logística.

Em lotes, verifica-se homogeneidade suficiente. Em exemplares singulares, a individualidade pode justificar um ajuste do desenho.

A disponibilidade é confirmada no momento adequado, sem transformar uma lista interna de viveiro numa promessa permanente.

Preparação da obra

Antes de iniciar, revêem-se projeto, prazos, acessos, licenças e fornecimentos.

Materiais com prazo longo e árvores adultas são reservados com antecedência.

A sequência define quando entram máquinas, redes, estruturas, pavimentos e vegetação. Grandes árvores podem precisar de ser plantadas antes de fechar acessos.

Assistência técnica

Durante a construção, surgem condições que o levantamento não revelou.

A assistência técnica permite interpretar o projeto, validar amostras, corrigir conflitos e decidir alterações sem perder coerência.

Não substitui direção ou fiscalização quando estas têm funções próprias. O âmbito deve ficar claro no contrato.

Alterações são registadas e, quando afetam custo ou prazo, aprovadas antes da execução.

Entrega e acompanhamento

Na entrega, verificam-se sistemas, acabamentos, plantações e documentação.

O cliente recebe instruções de rega, tutoragem e manutenção.

O primeiro ano é crítico para árvores adultas e novas plantações. O segundo continua importante no calor.

A observação depois da obra permite corrigir o programa e aprender com a resposta real do espaço.

Um processo ajustável

Nem todos os projetos precisam da mesma quantidade de peças. Um pequeno jardim e uma propriedade com várias infraestruturas têm escalas diferentes.

As fases podem ser adaptadas, mas não devem desaparecer sem se perceber o que fica por resolver.

O projeto serve para tomar decisões antes de elas se tornarem mais caras no terreno. Quanto maior a intervenção, maior o valor dessa preparação.

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Conteúdos relacionados

  • [O que faz um arquiteto paisagista](/conhecimento/guias/o-que-faz-arquiteto-paisagista/)
  • [O que inclui um estudo prévio](/conhecimento/guias/estudo-previo-jardim/)
  • [O que inclui um projeto de execução](/conhecimento/guias/projeto-execucao-espacos-exteriores/)

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Fontes e referências de apoio

  1. Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de dezembro — RJUE, na redação aplicável à data do projeto.
  2. Decreto-Lei n.º 108/2026, de 29 de maio — alteração e republicação do RJUE, com entrada em vigor faseada.
  3. Instrumentos de gestão territorial e servidões aplicáveis a cada município e parcela.
  4. Método de projeto, construção e acompanhamento da Diaplant.
Guias e Técnicas