A escolha entre espécies autóctones e exóticas não deve ser binária. As autóctones adequadas ao lugar são uma base importante pelas relações ecológicas e pela.
A escolha entre espécies autóctones e exóticas não deve ser binária. As autóctones adequadas ao lugar são uma base importante pelas relações ecológicas e pela ligação à paisagem, mas o projeto também precisa de considerar solo, clima futuro, escala, função, risco invasor e desempenho no local. Espécies exóticas só devem ser usadas quando não são invasoras e quando a sua função está claramente justificada.
Origem é um filtro, não a decisão completa
Uma espécie nativa de Portugal pode não ocorrer naturalmente na região do projeto ou pode depender de condições muito diferentes das existentes num pátio urbano. Da mesma forma, uma espécie não nativa pode estar bem adaptada e não apresentar comportamento invasor. O estatuto deve ser verificado, mas não substitui o diagnóstico.
A seleção precisa de cruzar origem, ecologia, disponibilidade hídrica, solo, temperatura, espaço radicular, manutenção e função.
A vantagem das relações ecológicas locais
Plantas autóctones tendem a participar em relações evolutivas com fauna, fungos e outros organismos locais. Estudos em diferentes contextos mostram que a origem pode influenciar a abundância de invertebrados e o apoio a cadeias alimentares.
Esta vantagem não é uniforme entre todas as espécies e não significa que uma planta autóctone funcione em qualquer condição. A estrutura do jardim e a paisagem envolvente também contam.
Exóticas: função, risco e legalidade
Antes de usar uma exótica, deve confirmar-se se a espécie consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras ou da Lista da União. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 92/2019 proíbe a detenção, cultivo, comércio e introdução na natureza das espécies incluídas na lista nacional. A lista europeia foi novamente atualizada em 2025.
Mesmo quando a espécie é legal, convém avaliar fertilidade, capacidade de dispersão e comportamento regional. A ausência numa lista não equivale a garantia absoluta de baixo risco.
O que compromete o resultado
Os erros mais frequentes são chamar autóctone a uma espécie apenas por ocorrer na Europa; usar uma exótica sem consulta legal; assumir que origem garante adaptação urbana; e reduzir biodiversidade a uma etiqueta de proveniência.
Critérios de aplicação
Na Diaplant, a origem é um dos critérios da seleção, juntamente com adaptação, função, clima futuro e risco invasor. As espécies autóctones adequadas formam a base; outras espécies não invasoras entram quando resolvem uma necessidade concreta.
A decisão madura não escolhe um lado. Prioriza autóctones adequadas, exclui invasoras e admite outras espécies quando resolvem uma função sem aumentar risco.
Fontes
- Contrasting effects of tree origin and urbanization on invertebrate abundance and tree phenology. (2021).
- Trillo, A. et al. Year-round pollinator visitation of ornamental plants in Mediterranean urban parks. (2026).
- Flora-On — Flora de Portugal interativa. Sociedade Portuguesa de Botânica. (2025).
- Decreto-Lei n.º 92/2019, de 10 de julho. (2019).
- European Commission. Invasive alien species; Union List atualizada pelo Regulamento de Execução (UE) 2025/1422. (2025).
- Forest Research. Urban Tree Manual. (2018).
