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O que acontece às raízes depois de uma transplantação

·Equipa Diaplant·7 min de leitura

O corte radicular altera temporariamente a relação entre raiz e copa. Veja como as raízes regeneram, porque a resposta varia e o que condiciona a recuperação.

Quando uma árvore é transplantada dentro do viveiro, uma parte das raízes que se afastou do tronco é cortada. A árvore perde, nesse momento, uma porção do sistema que utilizava para absorver água e nutrientes e para se fixar ao solo. A recuperação começa nas raízes que permaneceram e nas zonas próximas dos cortes.

O objetivo da transplantação em viveiro é permitir que essa recuperação aconteça antes do arranque definitivo. Durante o novo ciclo de produção, formam-se raízes mais próximas do tronco e aumenta a probabilidade de uma parte funcional do sistema radicular ficar incluída no futuro torrão.

Esta resposta não é igual em todas as árvores. A espécie, a idade, o vigor, a época da operação, a humidade do solo e a quantidade de raiz preservada alteram bastante o resultado.

A árvore fica com menos raiz disponível

Uma árvore produzida em campo pode ter raízes muito para além da projeção da copa. Algumas são grossas e estruturais; outras são mais finas e têm maior participação na absorção de água e nutrientes. Quando a árvore é levantada, não é possível transportar todo esse sistema.

O corte reduz a área radicular disponível de forma imediata, enquanto a copa permanece praticamente com o mesmo volume. Durante algum tempo, existe um desequilíbrio: menos raiz para abastecer a parte aérea.

A árvore responde ajustando o crescimento. Pode reduzir a expansão da copa, fechar parcialmente os estomas durante períodos de maior exigência hídrica e utilizar reservas acumuladas nos tecidos. Em paralelo, inicia a formação de novas raízes.

A intensidade dessa resposta depende do estado do exemplar. Uma árvore com bom vigor e reservas, transplantada na época adequada e instalada num solo com água e oxigénio disponíveis, tem melhores condições para recuperar do que uma árvore já debilitada.

Onde surgem as novas raízes

Depois de uma raiz ser cortada, a regeneração tende a ocorrer em raízes laterais existentes e em zonas próximas do corte. A forma exata varia, mas o resultado procurado em viveiro é o aparecimento de novas ramificações dentro da área que poderá ser transportada mais tarde.

As raízes novas começam com diâmetros reduzidos e são mais ativas na exploração do solo. À medida que crescem, algumas mantêm uma função essencialmente absorvente e outras engrossam, participando mais na condução e na estabilidade.

A investigação clássica de Gary Watson e T. Davis Sydnor mostrou este efeito em Picea pungens. Cinco anos depois da poda radicular, as árvores tratadas apresentavam mais raízes e uma área radicular muito superior dentro do torrão de colheita. O estudo foi realizado numa espécie e num sistema de produção concretos, por isso não deve ser usado como fórmula para todas as árvores. Mostra, contudo, o mecanismo que se pretende explorar.

Na prática de viveiro, interessa menos contar raízes do que observar a qualidade da recuperação. Procuramos um sistema ramificado, distribuído e compatível com a dimensão do exemplar.

A raiz cresce antes de voltar a ser cortada

A transplantação só produz o efeito pretendido se existir tempo para a árvore recuperar.

Depois de reinstalada no campo, a raiz cresce para fora do volume inicialmente movimentado e volta a explorar o solo. A copa retoma o desenvolvimento à medida que a capacidade de absorção aumenta. Uma nova transplantação será feita apenas quando o exemplar tiver recuperado e o ciclo de produção o justificar.

Se a operação for repetida demasiado cedo, pode interromper uma recuperação ainda incompleta. Se for adiada durante demasiado tempo, as raízes voltam a afastar-se muito da zona do futuro torrão. É por isso que os intervalos não são iguais para todas as espécies.

Na Diaplant, as árvores da gama adulta recebem no mínimo duas transplantações. Nos lotes de maior maturidade, o ciclo pode chegar, de modo geral, a cinco, com intervalos ajustados ao comportamento do exemplar. O histórico da árvore é importante: quando foi transplantada, como reagiu e quanto tempo permaneceu no talhão atual.

Porque algumas espécies exigem mais atenção

Os sistemas radiculares não seguem todos a mesma arquitetura.

Vários Quercus desenvolvem raízes de direção mais vertical numa fase inicial e podem formar raízes estruturais fortes. Nestes casos, o corte e a transplantação têm de ser programados de modo a evitar que a árvore fique demasiado dependente de raízes que não poderão acompanhar o torrão.

Em Liquidambar e Platanus, observamos sistemas mais fasciculados e uma resposta que permite, em regra, intervalos mais alargados. Isso não significa ausência de stress; significa que o padrão de raiz e o comportamento depois da operação são diferentes.

As Betula estendem raízes rapidamente e perdem água com facilidade durante a transplantação. A humidade do solo e o momento da operação tornam-se especialmente importantes. Nas magnólias, a sensibilidade ao corte radicular obriga a conservar uma relação prudente entre a raiz disponível e a copa, sobretudo em exemplares com muita folha.

Estas observações ajudam a planear a produção, mas não substituem a leitura de cada árvore. Mesmo dentro da mesma espécie, o solo, a idade e o vigor podem produzir respostas diferentes.

A relação entre raiz e copa

Depois do corte radicular, a árvore tem temporariamente menos capacidade para fornecer água à copa. É por isso que a época de transplante e o estado vegetativo são importantes.

Em espécies caducifólias, trabalhar durante a dormência reduz a procura de água da parte aérea. Quando a folha regressa, a raiz já teve algum tempo para iniciar a recuperação, embora a instalação continue longe de estar concluída.

A poda da copa não deve ser usada como resposta automática. Retirar demasiada área foliar reduz a capacidade fotossintética e elimina reservas presentes nos ramos. A decisão depende da espécie, do volume radicular preservado, da estrutura da árvore e dos cortes que já seriam necessários por razões de formação.

O objetivo não é igualar matematicamente raiz e copa. É evitar um desequilíbrio que a árvore não consiga suportar.

Água e oxigénio durante a recuperação

As raízes novas precisam de água, mas também de oxigénio.

Num solo seco, o crescimento radicular abranda e a árvore pode não conseguir repor a água perdida pela copa. Num solo constantemente encharcado, os poros ficam ocupados por água e a disponibilidade de oxigénio diminui. A raiz pode ficar funcionalmente limitada mesmo quando existe água em excesso.

Depois de uma transplantação em viveiro, a rega deve molhar o volume trabalhado e o solo envolvente. A frequência é ajustada à espécie, ao clima e à drenagem. Não utilizamos um calendário único porque o mesmo volume de água pode ser insuficiente num terreno e excessivo noutro.

A estrutura do solo também conta. Compactação, camadas impermeáveis ou diferenças fortes de textura podem condicionar a expansão das raízes para fora da zona recentemente mobilizada.

O que observamos depois da operação

A resposta não se avalia apenas pelo aparecimento de folhas novas.

Nos meses seguintes, acompanhamos o vigor, o comprimento dos novos crescimentos, a densidade da copa e eventuais sinais de perda de água. Uma retoma demasiado fraca pode indicar recuperação insuficiente; um crescimento muito forte, depois de vários anos no mesmo local, pode mostrar que a árvore voltou a ficar demasiado instalada.

A observação do sistema radicular é mais difícil porque a maior parte permanece no solo. Quando uma árvore volta a ser levantada, o torrão permite confirmar se houve formação de raízes finas e se a distribuição é compatível com o objetivo da produção.

É este histórico de operações e respostas que ajuda a decidir se a árvore deve permanecer mais tempo no campo, ser novamente transplantada ou preparar-se para sair.

O que a transplantação em viveiro não garante

Uma raiz bem preparada melhora as condições de partida, mas não garante a adaptação no destino.

No arranque definitivo, a árvore volta a perder raízes. Durante o transporte, o torrão tem de manter a humidade e a coesão. Na obra, o solo precisa de permitir infiltração, drenagem e expansão radicular. A rega dos primeiros anos continua a ser crítica.

A revisão científica sobre sistemas de produção em viveiro mostra precisamente esta interação. O método de produção influencia a arquitetura radicular e o comportamento depois da plantação, mas os resultados variam entre espécies e são fortemente condicionados pelo local, pela técnica de plantação e pela manutenção.

A transplantação sucessiva deve, por isso, ser entendida como preparação. Dá à árvore melhores condições para transportar raiz funcional, mas a instalação termina apenas quando o novo sistema radicular ocupa o solo do destino.

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Continuar o percurso

Este artigo integra a área Academia e desenvolve a parte fisiológica do processo explicado no guia sobre transplantações em viveiro.

[Porque transplantamos as árvores dentro do viveiro](/conhecimento/guias/transplantacao-arvores-viveiro/) [O que é o torrão de uma árvore](/conhecimento/guias/o-que-e-torrao-arvore/)

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Fontes e referências de apoio

  1. Watson, G. W.; Sydnor, T. D. (1987). “The Effect of Root Pruning on the Root System of Nursery Trees”. Journal of Arboriculture, 13(5), 126–130. DOI: 10.48044/jauf.1987.027.
  2. Gilman, E. F.; Paz, M.; Harchick, C. (2016). “Effect of Liner Container Size, Root Ball Slicing, and Season of Root Pruning in a Field Nursery on Quercus virginiana Growth and Anchorage After Transplanting”. Arboriculture & Urban Forestry, 42(4), 234–245. DOI: 10.48044/jauf.2016.022.
  3. Allen, K. S. et al. (2017). “A review of nursery production systems and their influence on urban tree survival”. Urban Forestry & Urban Greening, 21, 183–191. DOI: 10.1016/j.ufug.2016.12.002.
  4. European Arboricultural Standards. European Tree Planting Standard, revisão de 2025.
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