As raízes não desempenham todas a mesma função. Explicamos a diferença entre raízes absorventes, raízes de transporte e raízes estruturais.
O sistema radicular de uma árvore não é formado por um conjunto de raízes com a mesma função. As raízes mais próximas do tronco dão estabilidade e conduzem água e nutrientes. A partir delas surgem ramificações progressivamente mais finas, que exploram o solo e asseguram grande parte da absorção.
A distinção entre raízes finas e estruturais é útil para explicar o funcionamento da árvore, mas não deve ser tratada como uma divisão absoluta. Uma raiz muda de função à medida que cresce e engrossa, e duas espécies podem apresentar raízes de diâmetro semelhante com características fisiológicas diferentes.
Esta diferença ajuda a compreender o que acontece durante uma transplantação. O corte não afeta apenas a ancoragem. Também reduz temporariamente a extensão da rede que abastece a copa.
O sistema radicular ramifica-se por níveis
Junto ao tronco encontram-se as raízes de maior diâmetro. Estas distribuem as forças para o terreno, asseguram parte da estabilidade e funcionam como vias de transporte e armazenamento.
À medida que se afastam do tronco, dividem-se em raízes laterais e em sucessivas ordens de ramificação. Nas extremidades encontram-se raízes mais jovens, de menor diâmetro e com maior atividade na exploração do solo.
Durante muito tempo, a investigação agrupou como “raízes finas” todas as raízes abaixo de um determinado diâmetro, frequentemente um ou dois milímetros. Esta classificação é simples, mas pode juntar estruturas com funções diferentes.
Num estudo realizado com nove espécies arbóreas da América do Norte, Pregitzer e outros investigadores analisaram mais de 18 000 segmentos de raiz. Os resultados mostraram diferenças claras entre ordens de ramificação e entre espécies. As raízes mais distais, próximas das extremidades, concentravam a maior parte do comprimento absorvente e apresentavam características químicas diferentes das raízes de ordens superiores.
Para compreender a função, interessa assim saber não apenas a espessura, mas também a posição da raiz dentro da rede.
O que fazem as raízes finas
As raízes mais jovens exploram os poros do solo e aumentam a superfície de contacto entre a árvore e o terreno.
É através desta rede, em associação com os fungos micorrízicos, que se realiza uma parte importante da absorção de água e nutrientes. A atividade não está limitada à ponta visível da raiz, mas tende a ser superior nos tecidos jovens e pouco suberizados.
Estas raízes têm uma duração mais curta do que as raízes estruturais. Podem morrer e ser substituídas à medida que mudam a humidade, a temperatura, a disponibilidade de nutrientes e a ocupação do solo. A árvore mantém uma rede dinâmica, adaptando o crescimento às zonas onde encontra melhores condições.
Quando uma parte do terreno seca, as raízes não se deslocam. A árvore pode reduzir a atividade nessa zona e desenvolver novas ramificações noutros pontos, desde que exista solo acessível e condições para crescer.
A presença de raízes finas dentro do torrão é, por isso, um indicador importante na preparação de uma árvore de viveiro. São essas raízes que estarão disponíveis imediatamente depois da plantação.
O papel das raízes estruturais
As raízes estruturais partem da base do tronco e distribuem-se pelo solo. Além de transportar água e substâncias dissolvidas, suportam parte das forças transmitidas pela copa e pelo vento.
A estabilidade não depende de uma única raiz vertical. Na maioria das árvores estabelecidas, a ancoragem resulta de uma rede de raízes laterais, da sua ligação ao solo e da forma como o sistema se desenvolveu em resposta ao terreno.
O padrão varia com a espécie e com as condições. Solos rasos, compactados ou saturados podem limitar o crescimento em profundidade e favorecer uma distribuição mais superficial. Obstáculos, valas, pavimentos e diferenças de textura também desviam as raízes.
Durante o arranque de uma árvore adulta, algumas raízes estruturais são inevitavelmente cortadas. O torrão preserva a parte mais próxima do tronco e mantém o exemplar estabilizado até à plantação. A tutoragem ou a ancoragem temporária ajudam durante o período em que as novas raízes ainda não ocupam o solo envolvente.
As raízes não crescem apenas para baixo
A imagem de uma copa refletida debaixo do solo é enganadora.
As raízes crescem onde encontram oxigénio, água, temperatura e resistência física compatíveis. Em muitos solos, uma parte significativa do sistema concentra-se nas camadas superiores, onde existe maior arejamento e atividade biológica.
Isso não significa que todas as raízes sejam superficiais nem que a profundidade seja sempre reduzida. Algumas espécies e alguns solos permitem maior exploração vertical. O ponto importante é que a forma radicular não pode ser prevista apenas pela forma da copa.
Na obra, este conhecimento tem consequências práticas. Uma cova muito profunda e estreita não oferece necessariamente boas condições. É normalmente mais útil preparar uma área ampla, corrigir compactações e garantir continuidade com o terreno envolvente.
Como a água chega à árvore
A água desloca-se do solo para as raízes em resposta a diferenças de potencial hídrico. Depois entra nos tecidos condutores e segue para o tronco, os ramos e as folhas.
A árvore perde água sobretudo pela transpiração. Quando os estomas das folhas estão abertos, forma-se uma tensão que ajuda a puxar a coluna de água através do xilema. O sistema depende de continuidade: água disponível no solo, contacto com raízes funcionais e vasos condutores capazes de abastecer a copa.
À medida que o solo seca, a água fica mais difícil de extrair. Diminui o contacto entre algumas raízes e as partículas do solo, e aumenta a resistência ao movimento. A árvore pode fechar os estomas e reduzir a transpiração, mas essa proteção também limita a fotossíntese e o crescimento.
Quando o solo está encharcado, o problema é diferente. A água ocupa os poros onde deveria existir ar. A falta de oxigénio reduz o funcionamento e o crescimento das raízes, mesmo com muita água presente.
É por isso que sintomas semelhantes podem ter causas opostas. Folha murcha pode indicar falta de água disponível, mas também asfixia radicular num solo saturado.
O efeito da compactação
Num solo compactado existem menos poros grandes, menor circulação de ar e maior resistência física à expansão das raízes.
A água pode infiltrar-se lentamente e ficar acumulada à superfície. Noutros casos, desloca-se por fissuras e não molha de forma uniforme o volume onde se encontra o torrão. A aparência da superfície não permite, por si só, saber se a raiz recebeu água suficiente.
As raízes finas têm dificuldade em colonizar zonas muito densas. Podem concentrar-se junto da cova de plantação ou seguir interfaces entre materiais, sem ocupar o volume necessário para sustentar a árvore a longo prazo.
A preparação do terreno deve criar continuidade, e não apenas um compartimento de solo solto em redor do torrão.
O que se perde numa transplantação
Quando uma árvore é levantada, são cortadas raízes estruturais e uma grande quantidade de ramificações finas que se desenvolveram fora da área do torrão.
A árvore fica com menos capacidade de absorção e com uma ancoragem temporariamente reduzida. É esse desequilíbrio que explica o período de instalação depois da plantação.
As transplantações realizadas durante a produção ajudam a concentrar novas raízes perto do tronco. Num ensaio com Picea pungens, árvores submetidas a poda radicular apresentaram maior quantidade de raiz dentro do torrão de colheita vários anos depois. O resultado não é igual em todas as espécies, mas demonstra o motivo técnico da operação.
A qualidade radicular não elimina o stress. Dá à árvore mais raiz funcional para iniciar a adaptação.
A relação com a rega
Durante a instalação, a rega deve chegar a todo o torrão e ao solo envolvente.
Regas superficiais frequentes podem manter apenas os primeiros centímetros húmidos. A árvore adulta precisa de volumes suficientes para molhar a massa de solo onde se encontra a raiz. Depois, o intervalo deve permitir que o terreno drene e volte a ganhar oxigénio.
O ritmo depende da espécie, do clima e da drenagem. Não se pode definir apenas pela dimensão da copa ou por um calendário semanal.
Na Diaplant, recomendamos confirmar a humidade no terreno em vez de avaliar apenas a superfície. Pequenos pontos de observação junto do torrão, com cerca de 20 cm, ajudam a perceber se a água está a chegar e se o solo permanece saturado durante demasiado tempo.
Como o sistema se recompõe
Depois da plantação, as raízes finas começam a explorar o solo preparado. Com o tempo, algumas engrossam e passam a participar mais no transporte e na estabilidade. Novas raízes absorventes continuam a formar-se nas extremidades.
A recuperação depende da possibilidade de crescer para fora do torrão. Se existir uma transição muito brusca, compactação ou falta de água, a expansão abranda. Quando o terreno oferece porosidade, humidade e oxigénio adequados, a rede radicular aumenta progressivamente.
O primeiro ano é especialmente sensível. O segundo continua a exigir atenção nos períodos de maior calor. A autonomia aumenta à medida que a árvore ocupa um volume de solo maior.
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Continuar a leitura
Este artigo desenvolve a parte funcional do sistema radicular. O guia sobre transplantações explica como a Diaplant prepara as raízes ao longo da produção.
[Porque transplantamos as árvores dentro do viveiro](/conhecimento/guias/transplantacao-arvores-viveiro/) [O que acontece às raízes depois de uma transplantação](/conhecimento/academia/raizes-depois-transplantacao/)
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Fontes e referências de apoio
- Pregitzer, K. S.; DeForest, J. L.; Burton, A. J.; Allen, M. F.; Ruess, R. W.; Hendrick, R. L. (2002). “Fine Root Architecture of Nine North American Trees”. Ecological Monographs, 72(2), 293–309. DOI: 10.1890/0012-9615(2002)072[0293:FRAONN]2.0.CO;2.
- Watson, G. W.; Sydnor, T. D. (1987). “The Effect of Root Pruning on the Root System of Nursery Trees”. Journal of Arboriculture, 13(5), 126–130. DOI: 10.48044/jauf.1987.027.
- Watson, G. W. (1987). “Soil Moisture and Absorption of Water by Tree Roots”. Journal of Arboriculture, 13(2).
- European Arboricultural Standards (2022). European Tree Planting Standard.
