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Porque transplantamos as árvores dentro do viveiro

·Equipa Diaplant·9 min de leitura

As transplantações em viveiro ajudam a concentrar raízes perto do futuro torrão. Explicamos como é feito o processo e porque varia entre espécies.

Transplantamos as árvores dentro do viveiro para preparar o sistema radicular antes do arranque definitivo. Ao mudar uma árvore de talhão, cortamos parte das raízes que já se afastaram do tronco e damos-lhe tempo para formar novas raízes numa zona mais próxima. É essa raiz que deverá acompanhar o torrão quando o exemplar sair do campo.

Na Diaplant, duas transplantações são o mínimo. Nos lotes de maior maturidade, o percurso pode chegar, de modo geral, a cinco transplantações, frequentemente ao longo de 15 a 20 anos de produção. O número e o intervalo variam bastante. Um Quercus, uma Betula e um Liquidambar não desenvolvem a raiz da mesma forma nem recuperam ao mesmo ritmo.

Não é o transplante definitivo para o jardim

Quando se fala em transplantar uma árvore, é frequente pensar na mudança de um jardim para outro. No viveiro, a operação tem outro objetivo.

A árvore é levantada de um talhão e volta a ser plantada no campo, onde continua em produção. Não está ainda a ser preparada para um cliente ou para uma obra concreta. Está a cumprir mais uma etapa do seu ciclo de formação.

Depois da operação, permanece no viveiro durante o tempo necessário para recuperar, voltar a crescer e desenvolver novas raízes. Só mais tarde será avaliada para nova transplantação ou para comercialização.

Esta diferença é importante porque o arranque final não deve ser o primeiro momento em que uma árvore adulta perde uma parte significativa das raízes que desenvolveu no solo.

O que acontece às raízes

Uma árvore produzida em campo estende as raízes para procurar água, oxigénio e nutrientes. Com o passar dos anos, parte dessas raízes afasta-se bastante do tronco e fica fora do volume de solo que poderá acompanhar a árvore no transporte.

Durante a transplantação, a máquina corta as raízes na periferia do torrão de trabalho e levanta o exemplar. Quando a árvore é instalada novamente, as raízes preservadas retomam o crescimento e formam novas ramificações junto das zonas de corte.

Ao repetir este processo ao longo dos anos, procuramos manter mais raiz dentro de uma área próxima do tronco. Não se pretende confinar permanentemente o sistema radicular, mas preparar uma parte funcional da raiz para ficar incluída no futuro torrão.

As raízes finas têm um papel particularmente importante na absorção de água e nutrientes. Quanto melhor estiverem distribuídas dentro da zona que será transportada, maior é a continuidade entre o trabalho realizado no viveiro e a fase de instalação no destino.

O processo não é imediato. Depois de cada transplantação, a árvore precisa de tempo para recuperar e voltar a estabelecer-se. Uma nova operação feita demasiado cedo pode interromper essa recuperação; feita demasiado tarde, pode permitir que grande parte das raízes se afaste novamente.

O que nos diz a investigação

O princípio da poda radicular é conhecido e estudado há várias décadas.

Num ensaio publicado em 1987, realizado com Picea pungens de cerca de dois metros, as árvores cujas raízes tinham sido podadas no viveiro cinco anos antes do arranque apresentaram mais superfície radicular dentro do torrão do que as árvores que não tinham recebido essa operação. O estudo ajuda a perceber o objetivo da técnica: aumentar a proporção de raiz que acompanha a árvore.

Os resultados não devem, contudo, ser aplicados diretamente a todas as espécies. Estudos posteriores mostram que o efeito depende do sistema de produção, do momento da poda, da arquitetura inicial da raiz e da espécie utilizada.

Um trabalho realizado com Quercus virginiana, por exemplo, concluiu que a poda radicular influenciou algumas características da raiz e reduziu a percentagem de sistemas radiculares classificados como inadequados, mas não alterou da mesma forma todos os parâmetros avaliados. O momento da operação também não teve efeito relevante em todos os resultados.

É esta variabilidade que encontramos no campo. A técnica tem um objetivo claro, mas a sua execução não pode ser reduzida a uma frequência fixa ou a uma medida igual para todas as árvores.

O ritmo varia consoante a espécie

Algumas árvores precisam de ciclos mais curtos porque desenvolvem raízes longas com rapidez ou porque reagem de forma mais sensível ao corte.

Nos Quercus, a tendência para sistemas radiculares mais pivotantes exige atenção à fase em que a raiz é interrompida. Deixar passar demasiado tempo pode tornar a operação mais exigente e reduzir a quantidade de raiz funcional que ficará dentro do torrão.

Liquidambar e Platanus apresentam sistemas mais fasciculados e, na nossa experiência, admitem geralmente intervalos mais alargados entre transplantações, com menor stress induzido pela operação.

As Betula crescem naturalmente em ambientes com maior disponibilidade de água, estendem raízes com rapidez e podem perder muita humidade durante o transplante. Por isso, o intervalo, a época e os cuidados depois da mudança precisam de ser bem controlados.

Nas magnólias, o corte radicular deve ser feito com cautela. São árvores sensíveis a esta operação, e a raiz preservada precisa de manter uma relação adequada com uma copa que pode ter bastante densidade foliar.

Estes exemplos ajudam a explicar o método, mas não substituem a avaliação de cada exemplar. Dentro do mesmo género podem existir diferenças entre espécies, cultivares, idades e formas de produção.

Como decidimos o momento da transplantação

A decisão começa pela observação da árvore e pelo conhecimento do seu ciclo anterior.

A equipa avalia o vigor, o padrão de crescimento, a estrutura da copa e o grau de estabilização no talhão. Um crescimento muito forte pode indicar que a árvore já se encontra demasiado instalada naquele local e que as raízes voltaram a ocupar uma área muito extensa.

Também é necessário prever o porte que se pretende atingir. Uma árvore que ficará mais anos em produção precisa de continuar a ser preparada para o volume de torrão que poderá acompanhar esse porte no futuro.

A espécie, a dimensão atual, a época do ano e as condições do solo influenciam a decisão. Se a árvore ainda não recuperou bem da operação anterior, o ciclo é prolongado. Se a raiz se expande rapidamente ou o exemplar está demasiado estabilizado, pode ser necessário antecipar a mudança.

Não trabalhamos, por isso, com uma calendarização única. O mínimo de duas transplantações é comum à gama adulta. A partir daí, o percurso é ajustado ao comportamento da árvore e pode prolongar-se até cinco ciclos nos lotes mais maduros.

Como é feita a operação

Antes da transplantação, define-se o volume radicular que se pretende preservar, a máquina adequada e o local onde a árvore será reinstalada.

Para a maioria dos exemplares, utilizamos uma máquina arrancadora especializada. A lâmina é escolhida de acordo com o tamanho da árvore e com a necessidade de volume radicular da espécie. A máquina corta o solo e as raízes em redor do exemplar, forma o torrão e permite levantar a árvore com maior controlo.

Em árvores de grande dimensão, sobretudo quando o torrão ultrapassa cerca de 120 cm de diâmetro, pode ser necessário recorrer a uma escavadora para realizar a operação. Nestes casos, o processo é mais lento e exige maior intervenção manual para definir e estabilizar o volume de solo que acompanhará a raiz.

A árvore é depois instalada num novo local preparado dentro do viveiro. O solo é ajustado em redor do torrão, faz-se uma rega profunda e o exemplar é estabilizado. A partir desse momento começa um novo período de recuperação e crescimento.

A qualidade da operação não se avalia no próprio dia. É nos meses e anos seguintes que observamos a retoma do vigor, o desenvolvimento da copa e a forma como a árvore se volta a instalar no campo.

Porque o número de transplantações não conta toda a história

Duas árvores com o mesmo número de transplantações podem apresentar raízes, vigor e preparação muito diferentes.

Uma transplantação feita no momento certo, com um volume adequado e seguida de boa recuperação pode ter mais valor do que várias operações mal calendarizadas. A espécie, o solo, a disponibilidade de água e o estado inicial das raízes alteram o resultado.

A parte aérea também conta. Uma copa muito densa perde mais água e exige uma raiz capaz de responder. Uma árvore desequilibrada ou com vigor reduzido pode precisar de mais tempo antes de voltar a ser trabalhada.

É por isso que não consideramos a transplantação uma tarefa administrativa cumprida apenas porque consta do histórico do lote. Interessa-nos a resposta da árvore e a qualidade da raiz que ficará disponível no arranque seguinte.

A relação com o torrão final

Quando uma árvore é vendida em torrão, a massa de solo que a acompanha não surgiu apenas no dia do arranque.

A sua qualidade depende dos ciclos anteriores. As transplantações ajudam a manter raízes mais próximas do tronco e a preparar a zona que será levantada no futuro. No momento da expedição, procuramos um torrão coeso, com uma dimensão compatível com a espécie e o porte e com raiz distribuída no seu interior.

O torrão final é formado e protegido apenas quando a árvore sai do campo para o destino, mas a preparação radicular começou vários anos antes.

Este trabalho é particularmente importante em árvores adultas porque o exemplar tem uma copa maior, mais peso e uma necessidade de água superior à de uma planta jovem. Quanto maior é a árvore, mais importante se torna a relação entre o volume radicular transportado, a preparação do local e o acompanhamento depois da plantação.

O que a transplantação não resolve

A preparação radicular melhora as condições em que a árvore sai do viveiro, mas não elimina o stress provocado pela mudança.

Também não corrige um solo compactado, uma drenagem deficiente ou uma rega insuficiente. Uma árvore bem preparada pode falhar se for plantada demasiado fundo, se o torrão permanecer seco ou se a água ficar retida sem oxigénio nas raízes.

A transplantação em viveiro deve ser entendida como uma parte do processo. A seleção da espécie, a qualidade do exemplar, a época de arranque, o transporte, a plantação e os cuidados nos primeiros anos continuam a ter influência direta na adaptação.

Antes da comercialização

Depois de completar os ciclos previstos, a árvore é avaliada novamente.

Observamos o padrão de crescimento, o vigor, a estrutura da copa e a relação entre o porte e o sistema radicular preparado. Algumas árvores estão prontas; outras ficam mais tempo no campo ou recebem nova transplantação.

O objetivo é evitar que um exemplar saia apenas porque atingiu uma determinada altura ou calibre. A árvore deve corresponder aos critérios de qualidade definidos e estar preparada para a operação seguinte.

O lote de Liquidambar styraciflua que iremos documentar ao longo dos próximos ciclos permitirá mostrar este processo com a mesma árvore ou grupo de árvores em diferentes momentos de produção.

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Conhecer o processo no viveiro

As transplantações são realizadas em épocas específicas e dependem do planeamento dos campos. Durante uma visita técnica, é possível conhecer diferentes fases de produção e perceber como a raiz, o tronco e a copa são acompanhados ao longo dos anos.

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Fontes e referências de apoio

  1. Watson, G. W.; Sydnor, T. D. (1987). “The Effect of Root Pruning on the Root System of Nursery Trees”. Journal of Arboriculture, 13(5), 126–130. DOI: 10.48044/jauf.1987.027.
  2. Gilman, E. F.; Paz, M.; Harchick, C. (2016). “Effect of Liner Container Size, Root Ball Slicing, and Season of Root Pruning in a Field Nursery on Quercus virginiana Mill. Growth and Anchorage After Transplanting”. Arboriculture & Urban Forestry, 42(4), 234–245. DOI: 10.48044/jauf.2016.022.
  3. Gilman, E. F. (2001). “Effect of Nursery Production Method, Irrigation, and Inoculation with Mycorrhizae-Forming Fungi on Establishment of Quercus virginiana”. Journal of Arboriculture, 27(1). DOI: 10.48044/jauf.2001.005.
  4. European Arboricultural Standards. European Tree Planting Standard, revisão de 2025.
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